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PILRITEIRO

Photo AlbumJun 10, '06 5:18 PM
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Recentemente os jornais da região de Leiria têm vindo a noticiar o aparecimento de uma nova praga de processionária (larvas da borboleta Thaumetopoea pityocampa), no pinheiro bravo (Pinus pinaster), no Pinhal de Leiria, a qual está a alastrar pelo litoral, pondo em risco o vigor das árvores e a saúde de pessoas e animais. Segundo o “Jornal de Leiria”, de 8 de Junho de 2006, o alerta parte da professora Maria Rosa Paiva, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Sempre houve esta “praga” da processionária nos pinhais da nossa região, podendo atacar igualmente o pinheiro manso (Pinus pinea) e outras espécies de pinheiros menos comuns em Portugal, mas usados como árvores ornamentais em parques e jardins particulares. O grau de desenvolvimento das lagartas está directamente relacionado com as condições climatéricas existentes, pelo que há anos em que tais ataques são mais visíveis.
As lagartas ao alimentarem-se das agulhas dos pinheiros, afectam grandemente o seu crescimento, podendo mesmo levar à morte dos exemplares mais novos. A processionária do pinheiro, além de provocar estes danos nas árvores, pode também originar graves problemas de saúde pública, porque devido à característica urticante dos seus pêlos provoca alergias na pele, no globo ocular e no aparelho respiratório das pessoas e pode originar o mesmo em animais domésticos.
Possuindo oito receptáculos com cerca de cem mil pelos urticantes, a lagarta, ao mover-se, abre estes receptáculos libertando milhares destes pêlos, o que aumenta a possibilidade de intoxicação de um animal ou de uma pessoa. Os pêlos das lagartas agem como agulhas, injectando as substâncias tóxicas na pele ou nas mucosas. São recorrentes, todos os anos, as notícias de crianças afectadas por estas lagartas, por causa da existência de pinheiros demasiado próximo de Jardins de Infância e de Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico, principalmente quando elas, em longas “procissões” , na Primavera ou no Verão, abandonam os ninhos para se enterrarem no solo, onde se irá dar a metamorfose das larvas em borboletas, que, depois, porão os seus ovos nas árvores mais viçosas.
O ciclo biológico da processionária completa-se, geralmente, num ano, distinguindo-se duas fases: uma aérea, na copa dos pinheiros, e outra subterrânea, no solo. Como todos os insectos, o desenvolvimento da lagarta passa por diferentes estádios. Estas lagartas passam por cinco estádios, e é a partir do 3º estádio que se tornam perigosas para a saúde pública. Os 1º e 2º estádios de crescimento ocorrem, normalmente, no período do Outono (meados de Setembro/finais de Outubro). As lagartas jovens vivem em ninhos provisórios, que vão sendo abandonados até à formação de um ninho definitivo (ninho de Inverno), onde vivem em colónias e aí se protegem das baixas temperaturas. Os 3º , 4º e 5º estádios normalmente ocorrem no período de Inverno, quando as lagartas estão em crescimento activo nos seus ninhos de Inverno - os quais têm o aspecto de um novelo de seda - e mantêm os hábitos de alimentação nocturna, permanecendo no ninho durante o dia, funcionando este como acumulador térmico.
É nestes estádios que surgem os pêlos urticantes. O seu tratamento é mais difícil, uma vez que nesta fase a lagarta já revestiu o seu corpo de quitina (endurecimento) e os tratamentos químicos já não vão actuar tão eficazmente, sendo necessário, como meio de combate, a destruição mecânica dos ninhos, que, depois, deverão ser queimados.
O 5º Estádio ocorre entre meados de Fevereiro a fins de Maio. Após atingirem o seu grau de desenvolvimento máximo, as lagartas abandonam os ninhos e, em procissão, descem das árvores para se enterrarem no solo a uma profundidade de 15-20 cm, para passar à fase seguinte – de pupa ou crisálida – e evoluírem para insecto adulto – a borboleta (Thaumetopoea pityocampa) que emerge no Verão, completando assim o seu ciclo anual.
Nesta fase, a destruição mecânica das lagartas é o método não só mais eficaz, como o único que se pode fazer. Podem colocar-se umas cintas de papel ou plástico embebido nas duas faces com cola inodora à base de poli-isolbutadieno, à volta da árvore (de forma a que as lagartas ao descerem do tronco fiquem aí coladas). No solo, podemos juntá-las com cuidado com o auxílio de uma vassoura para que não se “levantem” os pêlos urticantes e queimá-las de seguida. Se se conseguir identificar os locais de enterramento, de modo a expor as pupas já formadas (ou até mesmo as lagartas que ainda não se formaram) regar tudo com um pouco de diluente celulósico (que é mais barato do que a gasolina) e queimá-las também.
A partir do momento em que a pupa passa a borboleta, o meio de combate mais usual passa pela colocação de armadilhas iscadas com feromonas sexuais, nos pinheiros para a captura dos machos (será uma armadilha por hectare). Pode-se ainda fazer o tratamento da árvore por microinjecção (a efectuar no mês de Julho) com princípios nutritivos de forma a incrementar a vitalidade e a capacidade de resposta defensiva da árvore tratada. Mas isto são processos caros e só ao alcance de técnicos especializados.
É importante voltar a salientar que o grau de desenvolvimento das lagartas está directamente relacionado com as condições climatéricas existentes e que se pode verificar um acelaramento/retardamento dos estádios se as condições forem favoráveis ou desfavoráveis. As lagartas iniciam as procissões após atingirem o número de graus-dia necessário, sendo possível, em certos anos, vê-las descer ao mesmo tempo de todos os ninhos da mesma árvore, ou das várias árvores na mesma área infestada.

Não posso deixar de referir, como curiosidade, uma experiência feita sobre o comportamento das larvas da processionária, que marcham sempre em fila por efeito congénito. Cada uma delas procura não se separar da que vai à frente, deslizando sobre o fio deixado por esta atrás de si. Tendo outra à frente, a marcha é tranquila e confiante. Só a primeira examina o terreno. J. H. Fabre fê-las marchar em círculo – à frente ia sempre uma. Confiantes, as outras arrastaram-se sem interrupção, nesse círculo, até esgotar as suas reservas de gordura.

Este conjunto de diapositivos foi tirado, com teleobjectiva, no Pinhal de Leiria, em 1980, a poente da Base Aérea de Monte Real, com excepção das fotos tiradas este Inverno no meu jardim, num pinheiro novo de uma espécie pouco comum entre nós.

Quando os ninhos estão nesta fase e tendo poucas árvores para cuidar é conveniente cortar os ramos onde eles estão implantados e onde se consiga chegar, nem que seja com o auxílio de uma escada, e, de seguida, queimar tudo (é a chamada destruição mecânica dos ninhos, mas feita de forma artesanal).

É evidente que falta neste conjunto de fotografias de minha autoria uma que mostre uma procissão das lagartas, mas nem sempre é fácil encontrá-las em locais amplos que permitam boas imagens e dêem ideia da extensão que tais filas chegam a atingir. Ou quando se encontram, por azar não temos a máquina fotográfica connosco. Por isso nos servimos de uma foto publicada no sítio da Internet abaixo referido, cuja consulta recomendamos.

INFORMAÇÕES RECOLHIDAS EM:

- “Lagartas processionárias atacam em Monsanto”, jornal “Público”, 23.12.2004
- No sítio: http://webserver.cm-lisboa.pt/pmonsanto/FB_processionaria.htm
- Arala Pinto, “O Pinhal do Rei”, 1939, vol. II, p.222 (os desenhos das borboletas)
- Dietmar Todt, “Animais – formas e ambientes”, Círculo de Leitores, 1974, p. 106.

Thaumetopoea pityocampa_fêmea.jpg
  
Thaumetopoea pityocampa_ macho.jpg
  
Casulo novo feito este Inverno.jpg
  
Grande plano do mesmo casulo.jpg
  
Casulo de processionária.jpg
  
Casulo de processionária.jpg
  
Larvas fora do ninho ao ataque.jpg
  
Excrementos enchendo um casulo.jpg
  
Processionárias num tronco.jpg
  
Larva da processionária.jpg
  
Estragos feitos num pinheiro.jpg
  
Pormenor de um ramo atacado.jpg
  
Procissão de larvas.jpg
  


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