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PILRITEIRO

Photo AlbumJul 8, '08 4:41 AM
for everyone


A ideia de apresentar esta série de fotografias do ACANTO ( Acanthus mollis ) foi-me sugerida pela oferta, pelo autor e amigo, ALBERTO PIMENTA, da sua mais recente obra poética «PRODIGIOSO ACANTO», edição & etc, Lisboa, Junho de 2008. Ver o blogue: http://margensdapoesia.blogspot.com/, dia 8 de Julho.

Hoje esta planta já é bastante difícil de encontrar no seu estado espontâneo, sendo, contudo, cultivada em alguns parques e jardins, pelo seu valor ornamental.
O seu habitat é todo o litoral mediterrânico, preferindo solos rochosos, e dá-se até aos 300 metros de altitude. É uma planta perene, utilizada como decorativa pelas suas belas folhas. As espigas florais são altas e recobertas de flores tubulares brancas e purpúreas. As folhas grandes, de um verde brilhante, são denteadas e grossas, com as pontas viradas para baixo. A raiz é carnuda, branca na parte interior e escura por fora. O fruto é constituído por uma cápsula contendo normalmente 2 a 4 sementes, grandes, castanhas e brilhantes.
Os médicos da Antiguidade receitavam infusões desta da planta para a cura de numerosas doenças. Discórides e Plínio consideravam-na diurética, eficaz contra irritações das vísceras e, até, preventiva da tuberculose pulmonar. Actualmente utiliza-se para uso externo sob a forma de banhos, cataplasmas, compressas e gargarejos. As partes utilizadas são as folhas recentes, flores e a raiz. Tem como componentes sais minerais, mucilagem, glúcidos, tanino e substâncias amargas.

Sabendo que junto do caminho pedonal que, da povoação de Fontes, freguesia de Cortes, dá acesso à nascente do rio Lis ( *mais propriamente às exsurgências do Lis ), havia uma zona rochosa onde abundavam ACANTOS em estado espontâneo, propositadamente lá me desloquei para obter esta série de imagens. O local, hoje, encontra-se invadido por silvas e foi difícil ir junto das plantas e fazer as fotos que pretendia. É natural que daqui a uns anos esta colónia de acantos tenda a desaparecer, submersa pelo agressivo e invasivo silvado.

Um outro local que aproveitei para obter mais imagens do ACANTO, em estado espontâneo, foi no sopé do morro do Castelo de Leiria, mesmo à beira da Avenida Ernesto Korrodi, à esquerda e por detrás do monumento com que, em 1970, a Câmara Municipal de Leiria, quis comemorar o centenário do nascimento do HOMEM que dedicou o seu saber ao estudo e recuperação deste Castelo. Reparar como, mesmo atrás do monumento, se encontram alguns – poucos – exemplares da planta, mas lá nota-se bem que o pisoteio excessivo de ambos os lados do bloco de pedra tem impedido a propagação do acanto, o que é pena, pois daria um outro significado à homenagem, pela simbologia artística clássica ligada às folhas deste belo exemplar botânico.

As seis últimas fotos deste álbum foram obtidas no sopé do monte do Castelo de Leiria; todas as outras o foram junto do caminho pedonal que leva da aldeia de Fontes à “nascente” do rio Lis.

* “As exsurgências do Lis – as "fontes" (1) – têm por quadro um cenário bucólico: hortas viçosas enquadram o local onde, na estiagem, os olhos rebentam numa toalha de tranquilas águas verde-azuladas; tufos de carvalhos orlam a "grota" situada, mais para montante, na base de uma pequena escarpa de calcários lusitanianos donde a água jorra impetuosamente na estação pluviosa, fazendo saltar grandes calhaus e redemoinhando de modo a escavar uma depressão que se assemelha às do penhascoso Vale do Furadouro e que tal como estas, é na estação seca um caos de grandes blocos revestidos de musgo. Essa "grota" sugere uma pequena "reculée", e, fundamentalmente, parece estar ainda na dependência de fenómenos tectónicos”

(1) O nome de exsurgência estende-se à aldeia próxima – Fontes.

in Alfredo Fernandes Martins, «Maciço Calcário Estremenho», Coimbra, 1949, p. 142.

A SIMBOLOGIA DO ACANTO

O Acanto (do grego " akantha "), não é apenas uma planta espinhosa de folhas muito longas, verdes e recortadas, também conhecida como "erva-gigante", oriunda dos terrenos húmidos e pedregosos do Sul da Europa, o acanto é algo poético que lembra a pureza de carácter, perfeição moral e trabalho honesto.
(...)
O simbolismo da folha do acanto, muito usada nas decorações antigas e medievais deriva, essencialmente, dos espinhos dessa planta.
Conta certa lenda, narrada por Vitrúvio, que o escultor Calímaco, no final do século V a. c., ao ornamentar um dos capitéis do túmulo de uma menina , se teria inspirado num ramalhete de folhas de acanto. Retém-se dessa lenda o facto de que, pelo menos originalmente e sobretudo na arquitectura funerária, o acanto era usado para indicar que as provações da vida e da morte, simbolizadas pelos espinhos da planta, haviam sido vencidas.
O acanto ornamentava os capitéis coríntios, os carros fúnebres e as vestimentas dos grandes homens, porque os arquitectos, os defuntos e os heróis haviam sido homens que souberam vencer as dificuldades de suas tarefas. Como de tudo que possui espinhos, fez-se igualmente do acanto o símbolo da terra virgem e da própria virgindade, que também significam uma outra espécie de triunfo. Aquele que tiver ornado por essa folha venceu a maldição bíblica: “O solo produzirá para ti espinhos e cardos” (Génesis, 3, 18). No sentido de que a provação vencida se transformou em glória.

in Jean Chevalier, «Dicionário de Símbolos», Editora José Olympio, Brasil.

Obs.: Sobre as propriedades medicinais do ACANTO consultar «Segredos e virtudes das plantas medicinais», edição de Selecções do Reader's Digest, Lisboa, 1983, p. 48, de onde extraí as informações respeitantes aos poderes curativos desta planta.

ACANTO.jpg
  
Conjunto de espigas florais .jpg
  
Espiga floral do conjunto anterior.jpg
  
Conjunto de espigas de acanto.jpg
  
Espigas florais de acanto.jpg
  
Parte terminal de uma espiga floral.jpg
  
Pormenor da flor do acanto.jpg
  
Grande plano da flor.jpg
  
Flor de acanto entre silvas.jpg
  
Espiga floral já a murchar.jpg
  
Conjunto de folhas de acanto.jpg
  
Pormenor de uma folha de acanto.jpg
  
Conjunto de folhas novas.jpg
  
Folha nova de acanto.jpg
  
Folha de acanto completa.jpg
  
Acantos floridos no sopé do monte do Castelo de Leiria.jpg
  
Monumento a Ernesto Korrodi com acantos atrás.jpg
  
Acantos atrás do monumento.jpg
  
Conjunto de folhas de acanto atrás do monumento.jpg
  
Folhas novas no sopé do monte do Castelo.jpg
  
Espiga floral com as rochas do monte em fundo.jpg
  


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